domingo, 3 de outubro de 2010

Trem das sete

"Ói, ói o trem, vem surgindo de trás das montanhas azuis, olha o trem..."
Penso que esta bonita canção fala da morte, aliás, tenho certeza, fala da morte sob um aspecto mais sútil, como uma companheira de viagem.

"Ói, ói o trem, vem trazendo de longe as cinzas do velho éon..."
A morte também é sinônimo de uma drástica mudança, como por exemplo um divórcio ou uma mudança para algum outro lugar totalmente diferente do que se estava acostumado....Geralmente o ser humano não encara muito bem a mudança, e com isso muitas vezes temos a necessidade de rever nossos conceitos e paradigmas.

"Ói, já é vem, fumegando, apitando, chamando os que sabem do trem"
Mesmo aquele que lidou com a perda de alguém querido, não está preparado para viver a própria experiência, mas mesmo assim, mesmo sabendo a esta experiência baterá na nossa porta um dia, mais cedo ou mais tarde....

"Ói, é o trem, não precisa passagem nem mesmo bagagem no trem..."
Penso que talvez Raul queira dizer que não se leva nada no sentido material com a morte, a não ser o aprendizado individual durante a trajetória humana. Morreu morreu nada de faraó....

"Quem vai chorar, quem vai sorrir ?"
...Alguns lidam a morte como um fenômeno natural da vida e até usam um bom humor, outros não estão preparados para tal evento e ainda se aprisionam com o paradigma que com a morte tudo acaba. Pergunto, acaba? Se um dia puder voltar para contar eu conto, mas acho difícil...

"Quem vai ficar, quem vai partir ?"
...A separação por ela causada é difícil, afinal desenvolvemos afeto por nossos entes queridos, inclusive por alguns bens materiais, no meu caso cito minhas guitarras e meus violões...

"Pois o trem está chegando, tá chegando na estação"
Olha ela aí chegando gente....

"É o trem das sete horas, é o último do sertão, do sertão"
Sei lá o que ele quis dizer com isso!!Aff..

"Ói, olhe o céu, já não é o mesmo céu que você conheceu, não é mais"
Sugere a dos nossos dias. Não temos nenhum dia igual ao outro nenhum minuto é igual ao outro, então ele contrapõe com a beleza do céu que ao mesmo tempo é escuro, assim é a vida, as vezes estamos bem, outras vezes nem tanto e assim por diante...

"Vê, ói que céu, é um céu carregado e rajado, suspenso no ar "
Fala talvez da densidade do tempo, tipo assim...existe o relógio que mede ele, mas será que o tempo do relogio relativamente é equivalente ao verdadeiro tempo? Será que existe este tempo? Ou ele está suspenso em algo pelo qual desconhecemos as medidas?

"Vê, é o sinal, é o sinal das trombetas, dos anjos e dos guardiões "
...Faltei esta aula quando fazia catequese...

"Ói, lá vem Deus, deslizando no céu entre brumas de mil megatons "
Quem sabe fala da grandiosidade do todo poderoso ao mesmo tempo sua simplicidade

"Ói, olhe o mal, vem de braços e abraços com o bem num romance astral "
Bixo, já pensou se toda essa história de bem e mal, certo e errado fosse uma espécie de fundo para o desenrolar de uma coisa muito mais complicada e limitada ao entendimento humano?
Não entendeu? Eu tambem não, nem sei porquê escrevi isso, mas enfim, agora vai ter que ler...até...
fui....

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